O relatório Vision 2050: The new agenda for business, lançado em fevereiro pelo WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), foi apresentado em detalhes, por Haroldo Mattos de Lemos, presidente do Instituto Brasil Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e diretor do Cores (Comitê de Responsabilidade Social) da Fiesp. O documento ganhará versão em português brevemente, em setembro.
O diferencial, apontado pelo especialista durante a 4ª Mostra Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Responsabilidade Socioambiental, é que as propostas de planejamento são factíveis para governos, empresas e sociedade civil como um todo, para que o mundo alcance 2050 com 9 bilhões de habitantes tendo suas necessidades básicas atendidas. Lemos enfatizou a relação estreita existente entre sustentabilidade e erradicação da pobreza extrema.
O Relatório é fruto do estudo feito por 29 empresas de 20 países do mundo com foco no longo prazo para as próximas quatro décadas. São sete as ações propostas para se alcançar a sustentabilidade, que envolvem mudanças de comportamento e inovação social e tecnológica:
- Atender às necessidades de desenvolvimento de bilhões de pessoas, possibilitando educação e empoderamento econômico (especialmente das mulheres), além de soluções, estilos de vida e comportamentos radicalmente ecoeficientes.
- Incorporar o custo das externalidades, começando com carbono, serviços prestados pelos ecossistemas e água.
- Dobrar a produção agrícola sem utilizar mais água e áreas no processo.
- Cessar os desmatamentos e aumentar o rendimento das florestas plantadas.
- Reduzir as emissões de CO² pela metade, no mundo inteiro, até 2050 (com base nos níveis de emissões de 2005), por meio da migração para sistemas de energia de baixo carbono.
- Prover acesso universal à mobilidade com baixo carbono.
- Atingir melhoria de eficiência de quatro a dez vezes no uso de recursos e materiais.
Estes sete pontos de ação exigem novo estilo de governança com impactos na economia e na maneira de se fazer negócios, na avaliação de Lemos. "Elas já podem ser colocadas em prática, pois o mundo tem conhecimento acumulado, desenvolvimento tecnológico, habilidade e recursos financeiros suficientes para promover essas mudanças", disse.
Para o representante das Nações Unidas, as empresas devem liderar esse processo ao invés de apenas segui-lo. Por isso mesmo, Eliane Belfort, à frente do Cores, da Fiesp, sugeriu que a federação das indústrias seja a catalizadora das propostas apresentadas.
Os primeiros dez anos deste planejamento a longo prazo, para as próximas quatro décadas, serão de turbulência devido à necessária mudança de postura para se alcançar a sustentabilidade, próximo salto que a Humanidade deve dar após a invenção da roda d'água, da máquina a vapor, da eletricidade, da química e dos petroquímicos, da tecnologia e da informática, alertou Lemos.
Lotação esgotada
A população humana saltou de 1,5 bilhão de habitantes, em 1900, para 6 bilhões no ano 2000, ou seja, foi quadruplicada no último século. Ao mesmo tempo, a atividade agrícola foi multiplicada por dez entre 1950 e 2000. Hoje, a maioria dos pesqueiros mundiais está sobrexplorada e 40% das reservas conhecidas de petróleo, exauridas.
Os dados foram citados pelo representante das Nações Unidas com base no Global Change and the Earth System (IGEP, 2004), delineando o cenário preocupante no qual todos nós vivemos. Ele completou o panorama lembrando que, segundo a World Wild Foundation (WWF, 2008), a Humanidade já consome 30% mais de recursos naturais não-renováveis do que a capacidade de reposição do planeta Terra.
Novos índices
Entre os grandes desafios a serem enfrentados, para Haroldo Mattos de Lemos, estão a utilização de recursos renováveis e não-renováveis da bioesfera, o desenvolvimento sustentável e a estabilização da população.
O alinhamento desses três fatores deve vir acompanhado de um novo indicador de desenvolvimento. Este não pode ser nem o PIB (Produto Interno Bruto), que reflete apenas a questão econômica e não inclui o esgotamento dos recursos naturais e a degradação do Meio Ambiente, nem o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), fortemente apoiado em dados da educação e da saúde.
Na avaliação de Lemos, um novo índice eficiente deve levar em conta fatores econômicos, ambientais, sociais e institucionais. Nesse contexto, a pegada ecológica e a biocapacidade - área bioprodutiva de um país - devem ser consideradas, sinalizou. "Hoje, 20% dos países do mundo são credores ecológicos; os demais são devedores".
O estudo está disponível para download em www.wbcsd.org
Fonte: Agência Fiesp

