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Sustentáveis e lucrativas

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As discussões em torno da ideia de produção sem afetar o meio ambiente ganham força. Sustentabilidade é um assunto novo, com menos de 20 anos, por isso está em voga. Ser sustentável está na moda, mas não é moda. O conceito ampliado após a Rio 92, conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, é realidade no estilo de vida e também no jeito de fazer negócio. Empresas de todos os tamanhos têm apostado na criação de produtos e serviços menos agressivos ao planeta. Na Bolsa de Valores de São Paulo, há dois anos, foi criado o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) para identificar empresas engajadas com a pauta. A competição reforça o caráter lucrativo deste mercado.

Tudo bem, você deve estar dizendo que não existem empresas 100% sustentáveis. De fato, a meta é audaciosa e difícil de ser alcançada. Mas o caminho do negócio “verde” é um pouco mais curto quando são considerados os possíveis impactos sobre os stakeholders. Para ilustrar e gerar novas ideias, serão apresentados dois cases de sucesso no mercado. Um serviço de entregas com bicicletas em São Paulo e uma cooperativa de moda na Paraíba.

Pedalada verde
No caótico trânsito da cidade de São Paulo, entregas são costumeiramente feitas por motoboys. Mesmo serviços no próprio bairro dependem de motocicletas. Resultado disto são ruas cheias e aumento da emissão de poluentes. De olho no mercado de entregas, principalmente em curtas distâncias, foi criada há nove meses a Carbono Zero Courier. O diferencial? O serviço é feito apenas com bicicletas. “Foram dois anos de estudo de mercado para abrir a empresa. A criação foi alinhada com conceitos de sustentabilidade”, diz Danilo Mambretti, sócio do irmão Rafael Mambretti.

Os irmãos apostam na “pegada sustentável” e no custo como diferenciais para o serviço expresso. Prova maior do sucesso em curto tempo é a procura do mercado. “No início fizemos algumas prospecções, hoje não precisamos. As empresas chegam até nós”, afirma Mambretti. A carteira de clientes só aumenta, são cerca de 40, responsáveis pelo movimento médio de 15 pedidos de serviços por dia.

São 18 ciclistas a trabalho em áreas comerciais e empresariais como o centro e a zona sul de São Paulo, principais zonas de atuação da Carbono Zero. A cobrança baseada no sistema ponto a ponto dos motociclistas, recebeu o nome de pedaladas. Por exemplo, quatro quilômetros correspondem a duas pedaladas, ao custo de R$9 cada uma.

Algodão orgânico tipo exportação
Da periferia da moda para as passarelas, o algodão tem conquistado espaço entre os “consumidores verdes” no Brasil e no exterior. A Fibra tradicionalmente branca ganhou cores e tornou-se diferencial competitivo para fortalecer as empresas têxteis e de confecções da cidade de Campina Grande no estado da Paraíba.

Com 35 cooperados, sendo 25 confecções, a Cooperativa de Produção Têxtil CoopNatural foi fundada em 2000 por empresárias locais. Com apoio da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), acompanham e dão suporte na plantação de algodão colorido. Atualmente, a cadeia de produção envolve 800 pessoas, desde a semeadura até o produto final.

A cooperativa é responsável pela marca de roupas Natural Fashion, com pontos de venda no Brasil e no exterior. Apesar da queda na exportação em consequência da valorização do Real e da concorrência chinesa, o site da grife aponta possibilidade de compra em 14 países na América, Europa e Ásia. Por aqui, Paraná, Bahia e São Paulo se destacam como grandes clientes. Em razão do mercado orgânico, do volume de habitantes e do turismo, respectivamente.

“Mensalmente, é produzida uma tonelada de produto, correspondente a cinco mil peças de roupas. O algodão orgânico atinge principalmente o mercado de moda sustentável, lojas com venda de produtos naturais e artesanais”, revela a diretora-presidente da Coopnatural, Maysa Gadelha. A fibra colorida ainda dispensa as fases de preparo para tingimento na indústria, o que significa redução de uso de produtos químicos e recursos naturais, além da queda no custo de produção.

Você acredita que sustentabilidade pode ser um diferencial competitivo? Comente suas experiências no Fórum do Santander Empreendedor.