Considerando o consumo das famílias, no estado de São Paulo, a população tem como principal despesa a habitação, transporte, alimentação e assistência à saúde, com diferentes participações, dependendo da classe de rendimento. O estudo aponta que na medida em que a renda sobe, observa-se uma diversificação no consumo das famílias, com um aumento claro no consumo de serviços.
Considerando a pesquisa de orçamentos familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o peso maior no orçamento das famílias da classe A, com renda média a cima de R$ 8 mil, está nos setores de habitação (31%), transporte (25%) e alimentação (15%). As famílias desta classe também consomem, mais que a média, os serviços de saúde (8,6%), Educação (6%) e Recreação e Cultura (2,6%).
Na classe B (famílias com renda de cerca de R$ 2.500 a R$ 5.000), o consumo de serviços de habitação e transporte tem peso bem próximo à média paulista, correspondendo a 36% e 19% do orçamento, respectivamente. O destaque vai para os serviços de educação (3%) que é cinco vezes maior que o destinado pela classe C (0,6%).
As despesas da classe C, com renda familiar variando entre cerca de R$ 900 e R$ 1.500, estão concentradas em habitação (43%) e alimentação (25%), com gastos acima da média das demais classes que são de 36% para moradia e 19% para alimentação. Pedro Gonçalves, consultor do Sebrae-SP, destacou que isto ajuda a explicar o grande número de lanchonetes, minimercados e lojas de material de construção liderando o número de micro e pequenas empresas (MPEs) do segmento de serviços.
Nas classes D e E, com renda inferior a R$ 700,00, os gastos com habitação são bem fortes, ocupando quase a metade do orçamento (45%), seguido pela alimentação (24%), com índice também acima da média.
As classes de consumo, apresentadas acima, seguem o “Critério Brasil”, da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep).
Brasil é único dos BRICs com crescimento descentralizado na renda
Além de registrar o crescimento em todos os setores, com destaque para o segmento de serviços, a pesquisa Cenários 2020 também apontou um aquecimento e descentralização da renda per capita da população brasileira. No estado de São Paulo a perspectiva é que, mantido o ritmo de crescimento registrado nos últimos anos, a renda domiciliar per capita, passe de R$ 807 em 2009, para cerca de R$ 943 em termos reais (descontando a inflação), em 2015. Nesse mesmo ano, a renda domiciliar per capita deve chegar a R$ 745 no Brasil, mantido o ritmo de crescimento observado nos últimos anos.
O estudo aponta ainda que a desigualdade de renda vem caindo no estado de São Paulo, assim como no Brasil, nos últimos anos, que já se posicionou como o único país, entre os BRICs, que apresenta crescimento e desconcentração de renda. Assim, no Brasil, a renda dos segmentos mais pobres da população vem apresentando crescimento maior (6,5% ao ano) que as faixas de renda mais elevada (1,7% ao ano), conforme estudo do Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getulio Vargas.
Uma das consequências desse cenário é o crescimento da classe C no País (com renda domiciliar mensal entre R$ 962 e R$ 1.459) que registrou a entrada de 40 milhões de pessoas, nos últimos cinco anos, de acordo com pesquisa Cetelem - Ipsos. Bruno Caetano, diretor superintendente do Sebrae-SP, destaca que este aumento real no poder de compra do consumidor, apesar dos juros e da inflação, tem impacto direto nos pequenos negócios porque é sinal de mais gente com recurso para consumir, ou seja, mais dinheiro no mercado. Os empresários são beneficiados com aquecimento nas vendas.
*Fonte: Sebrae Notícias

