Desenvolvido pela República - Opinião dos Brasileiros, empresa especializada em pesquisa de opinião, o projeto Brasilidade analisa em profundidade a autopercepção do brasileiro hoje, após 20 anos de democracia e de estabilização econômica no País. Qual o impacto desse período sobre a identidade nacional e a autoestima do brasileiro? Para começar, a pesquisa revela o predomínio de autoestima elevada - 78% dos pesquisados têm orgulho de ser brasileiro. E o “jeitinho brasileiro” é visto agora de forma muito mais positiva que negativa, sinônimo de adaptação, criatividade, flexibilidade e da maneira de resolver os problemas mantendo a alegria. O Projeto Brasilidade, primeiro da série de Estudos da República, revela o que significa ser brasileiro no século 21 e desvenda a nova alma nacional.
Exclusiva e inédita, a pesquisa foi conduzida no primeiro semestre de 2010 com módulos qualitativos e de quantificação, com quatro grupos focais e 1.272 entrevistas (homens e mulheres, de 18 anos a 70 anos), residentes nas principais cidades brasileiras, pertencentes às classes A, B, C, D e E (critério Brasil).
Entre as principais conclusões da pesquisa estão:
- • As respostas à pesquisa deixam claro que a autopercepção do brasileiro mudou: com autoestima elevada, 78% dos entrevistados afirmam ter “orgulho de ser brasileiro”; há otimismo e o futuro é visto com bons olhos. Os resultados da pesquisa revelam que 87% acham que o Brasil está se transformando e se modernizando; 79% acreditam que o Brasil está se destacando na pesquisa científica por meio do empenho de seus profissionais; 77% consideram que o Brasil está se tornando mais respeitado mundialmente; 76% dos brasileiros estão mais amadurecidos, mais críticos e menos tolerantes com as falhas do governo; e 74% acreditam que as pessoas estão mais informadas.
- • A avaliação positiva do País implica necessariamente em autoestima mais elevada. Orgulho, avaliação positiva do País e visão de futuro põem por terra o “complexo de vira-lata”, de Nelson Rodrigues. Ao consolidar a identidade do brasileiro 2010, a pesquisa Brasilidade revela que, em contraposição ao ser humano em geral, o brasileiro se considera “mais batalhador”, “mais alegre”, “mais solidário”, “mais criativo/inovador”, “mais prestativo”, “mais justo”, “mais bonito”, “sempre dá um jeitinho”, “mais sofrido”, “mais patriota”, “tem jogo de cintura”. Traços que revelam um ser alegre, emocional e musical, que vive o presente e tem na adaptação e na flexibiidade a sua maior ferramenta de vida. Um lutador otimista, que gosta do convívio e vive com pouco
- • O “jeitinho brasileiro” mudou? Sim, agora é sinônimo de adaptabilidade, ganhou uma dimensão muito mais positiva. É o atributo que, na visão dos entrevistados, mais define o que é ser brasileiro hoje. Significa ser dotado de “criatividade”, “flexibilidade”, “improviso”, “jogo de cintura” e “um jeito de resolver os problemas mantendo a alegria”. Está, portanto, mais identificado com a ginga, adaptabilidade, inventividade e criatividade: “tudo o que nos difere, na percepção do brasileiro, da dureza e frieza dos europeus”, afirma Rodrigo Mendes Ribeiro, acrescentando que o brasileiro associa a competitividade e agressividade a características ruins, algo que não combina com a alma do brasileiro.
- • Os dados da pesquisa revelam que há uma identidade nacional assentada em um elevado grau de coesão das opiniões em torno de características identificadas como típicas dos brasileiros. O que faz com que as pessoas se sintam brasileiras? Predomina a visão do brasileiro como “batalhador”, com alta capacidade de superação; que mantém a alegria mesmo na diversidade; e faz uso do “jeitinho” como um recurso de adaptação social. Existem alguns matizes regionais ou de classe, mas o que predomina é uma identidade nacional bastante clara e definida.
- • A pesquisa identificou três perfis de brasileiros que são a base de uma nova sociedade, mais complexa e rica, mais amadurecida e informada: os que lutam pela sobrevivência (38%); os que aspiram pela estabilidade (26%); e os que buscam aprimoramento (36%). Sob a ótica dos três perfis, é possível entender o Brasileiro 2010 e o seu comportamento social, político, ecológico e grau de consciência cidadã. Com a ascensão na escala de hierarquia de necessidades, quando o cidadão sai da sobrevivência, vai para a segurança e busca o aprimoramento, aumenta o grau de percepção crítica em relação a políticos e partidos e à qualidade dos serviços prestados pelo Estado.
Fonte: República - Opinião dos Brasileiros

