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Aplausos para os detalhes
Qui, 19 de Abril de 2012 00:00 Por: Marcelo Nakagawa


Você já foi aplaudido? De pé? Pois é... Eu já! No dia 13 de janeiro de 2008, 6 da manhã, ainda estava escuro em Orlando, quando começaram os fogos de artifício que anunciavam a largada da Maratona da Disney. Termino a prova e volto para o hotel que ficava no complexo Disney. Ao entrar no saguão noto que todos os funcionários começaram a bater palmas de pé. Achei que tivesse alguém importante por lá, mas minha esposa estava em lágrimas. Só depois disso percebi que todos me olhavam enquanto aplaudiam. Eu era a pessoa importante!

Mas estas palmas não começaram naquele dia, e sim em 1955, quando Disneyland (a da Califórnia) foi inaugurada. Walt Disney planejou que a entrada principal do parque que levaria ao Castelo da Bela Adormecida, teria uma leve subida, assim o visitante se sentiria premiado pelo esforço ao chegar ao final da rua, diante da imponente construção. O chão vermelho remetia a um tapete que recebe pessoas importantes. Os prédios da rua principal utilizam a técnica de perspectiva forçada. Eles parecem mais altos no momento da entrada, mas se tornam mais baixos na saída. Desta forma, o visitante se sente maior e ainda mais importante no momento em que vai embora. Para que o visitante se sinta realmente importante, todos funcionários dos parques são contratados como atores, não importando se será a pessoa que o atenderá na loja ou trabalhará no hotel.

Talvez você não queira se sentir importante, mas a maioria quer. E Mark Zuckerberg tinha plena consciência disso. O fato do Facebook nascer como uma comunidade fechada para pessoas de faculdades de primeiríssima linha como Harvard e Yale, era uma forma de dizer “olha como eu sou importante” para seus colegas acadêmicos. Depois, tornou-se um objeto de desejo para os outros menos importantes, mas  que queriam se sentir da mesma maneira. Outras redes sociais vieram antes e depois, mas a maioria dos seus fundadores achava que seus negócios eram conectar pessoas. A rede social começa a funcionar depois, mas cresce no início porque tem um sujeito ou outro que quer mostrar que tem mais contatos que os outros, que vai a mais lugares legais e que faz mais coisas interessantes.

Andrew Mason, do Groupon, também percebeu isso. Só os que copiam o seu negócio acreditam que ele está no negócio de compras coletivas. Quem fazia compras coletivas era o finado Mercata que, em 2000, tentava juntar 10 pessoas que queriam comprar 10 videocassetes de 4 cabeças da Sony para ganharem um desconto de 7,5%. Por um lado, Mason posicionou o Groupon como um veículo de mídia com oferta de produtos relevantes para pessoas espertas. Do outro, fez com que estas pessoas espertas pudessem divulgar suas competências em como fazer bons negócios nas redes sociais e mostrarem como são importantes. Afinal, só um cara muito bom consegue comprar um fondue em um restaurante descolado por menos da metade do preço original.

Mas não são apenas os negócios que massageiram o ego de seus clientes que dão certo. Há alguns que te fazem sentir o “cocô do passarinho”. Se você joga Angry Birds e ouviu o risinho do porco verde quando você erra uma jogada sabe do que estou falando. Não sei se Mikael Hed, co-fundador da Rovio, sabia desse detalhe, mas quando você é humilhado ou gratificado por um detalhe tão pequeno, você leva para o lado pessoal. Mesmo que sejam palmas treinadas, dadas por atores. E isto pode virar um grande negócio!  

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), onde também coordena o CEMP (Centro de Empreendedorismo). Também é Vice-Presidente da Amcham no comitê Business in Growth (BIG), membro do conselho consultivo da Anjos do Brasil, mentor voluntário da Endeavor e Artemísia e colunista de empreendedorismo e inovação do Brasil Econômico. É autor do livro Plano de Negócio: Teoria Geral (Ed. Manole, 2011).

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Comentário:
por
Augusto Takaji Sato

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Impossível não aplaudir de pé as colunas do Marcelo. Parabéns!
Sucesso sempre!

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