Ninguém consegue se lembrar de todos os aspectos relacionados a um novo produto, um novo serviço ou um novo negócio no momento de sua concepção. O profissional de Marketing vai pensar em propaganda, visual, marca, promoções, receptividade ou distribuição, mas pode se esquecer dos impostos, da legislação específica ou restrições de higiene sanitária. Da mesma forma, o inventor do produto pode conhecer todos os aspectos relacionados a uso e apelo, características técnicas, processo produtivo, necessidade de especialização de mão de obra ou fontes de matéria-prima, mas pode se esquecer de analisar o retorno sobre o investimento, índice de lucratividade e serviços de pós-venda.
Nem todos os empreendedores possuem proficiência nas diversas disciplinas que envolvem o negócio. Os administradores estão mais perto desta formação generalista, mas carecem de conhecimentos específicos e, muitas vezes, sua falta só é detectada depois de alguns meses e quando situações críticas já se tornaram irreversíveis para o negócio.
Assim, em primeira instância, elaborar um plano de negócios é um exercício para enxergar o negócio por inteiro, explorar todos os aspectos relacionados a itens como mercado, finanças, operações, produto, empresa, estrutura organizacional, análise do investimento e competitividade. A obrigação de adquirir esta visão ampla dá ao empreendedor a possibilidade de corrigir falhas no modelo logo no início e até mesmo levá-lo a descobrir que o negócio não é viável, o que, por si só, já justificou o trabalho de tê-lo desenvolvido. É a chance do empreendedor cometer erros no papel ao invés de cometê-los na vida real.
A busca de apoio é a próxima fase de uso do plano. Por isso, o documento precisa ser escrito tendo em mente quem será o leitor. Investidores, parceiros, sócios, clientes e fornecedores são os potenciais leitores. Este apoio pode ser financeiro, para obter um contrato de venda ou de fornecimento exclusivo, conseguir sócios ou parcerias estratégicas ou simplesmente para compartilhar idéias.
Por fim, o planejamento. Após obter o apoio necessário, o empreendedor começa a conduzir seu negócio. O plano serve então como guia para garantir que ele adotará as ações previstas para atingir os objetivos definidos. As projeções de vendas, as estimativas de despesas, os investimentos requeridos, os resultados obtidos, etc., funcionam como termômetro, durante a condução da empresa, do alinhamento com as metas estabelecidas.
Um plano de negócios é um documento vivo, nunca está definitivamente encerrado e o bom empreendedor o atualiza o tempo todo. A cada mudança no mercado ele altera os números para refletir a nova realidade. Igualmente quando surge um novo concorrente, quando o governo cria uma lei de incentivo fiscal, quando uma matéria-prima se torna escassa, quando as vendas não atingem o patamar esperado. A cada modificação o empreendedor adquire mais conhecimento sobre o negócio e documenta o aprendizado na forma de um plano de negócios cada vez mais completo, abrangente e acurado.
Sem um plano de negócios, o empreendedor fica sem ferramenta para ordenar e estruturar sua idéia de negócio. Ao fazer a venda da sua idéia, ele se baseia apenas na memória e talvez em uma ou outra anotação. Seu poder para convencer o interlocutor se resume à empatia, à demonstração de entusiasmo e à argumentação sobre elementos que poderiam estar mais bem organizados num documento formal.
Muitos investidores se recusam a receber um empreendedor com uma idéia de negócios, por mais inovadora e lucrativa que possa ser, se este não tiver um plano de negócios já escrito. O amadorismo e o empirismo neste processo terminou e o plano é uma ferramenta que vem ganhando importância cada vez maior à medida em que o setor de capital de risco se profissionaliza. Existem várias ferramentas na internet que ajudam o empreendedor a escrever o plano de negócios - ou business plan -, uma delas é o software SP Plan, do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) que eu ajudei a desenvolver há sete anos. Para acessá-la, entre na minha página pessoal, em www.marcoshashimoto.com.
Portanto, se você tem uma idéia de negócio e ainda não escreveu seu plano, faça-o, antes que perca excelentes oportunidades!
Marcos Hashimoto é doutor em Administração de Empresas pela EAESP/FGV, professor de Empreendedorismo e Coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper, sócio-diretor da Lebre Consulting, ex-professor da Business School São Paulo.
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