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Priorizar a micro e pequena empresa fortalece a economia como um todo

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Empresário no Brasil, sobretudo micro e pequeno, trabalha 12 meses por ano, 7 dias por semana. Por isso mesmo, em uma vida inteira de convivência empresarial, estou convencido que os empresários brasileiros são colocados à prova a todo o momento, mas não perdem tempo e seguem trabalhando e acreditando no futuro.

Ao longo dos anos, diante dos obstáculos e agruras que persistem, em vez de nos vitimizar temos aprendido, entre outras coisas, a perseguir a competitividade. Afinal, com a globalização, o concorrente direto deixou de ser o vizinho do lado para estar a milhares de quilômetros de distância, não raro em condições muito mais favoráveis que as nossas.

Aos poucos, temos adotado uma postura que mescla organização, planejamento, método, persistência, crença e investimento nas pessoas, na estrutura e em inovação, que países como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, China, Itália, Espanha, Canadá e Coréia aplicam há gerações. Não à toa, todos esses países ocupam as dez posições à nossa frente entre as maiores economias do mundo.

No Brasil não há furacão, neve ou terremoto, embora muitas vezes nos abalem os juros mais altos do mundo, a pesada carga tributária, que taxa até investimento produtivo, a falta de crédito, a burocracia e as sucessivas crises econômicas. Entretanto, já há sinais de reaquecimento, em virtude, principalmente, da importância do mercado interno, onde o micro e pequeno mais atuam. Some-se a isso a criatividade, a persistência e o otimismo do brasileiro, que é um vencedor por natureza, além das medidas governamentais positivas, que resultaram, entre outras coisas, na estabilidade econômica.

Nos últimos anos, temos assistido no Brasil a inúmeros movimentos de fusões e aquisições, envolvendo cifras bilionárias, que criam megacompanhias de atuação global e, orgulhosamente, colocam o País nas manchetes de jornais do mundo todo como exemplo de competitividade mundial. Em ambientes muito menos glamourosos que as salas dos altos executivos, os pequenos negócios mostram enorme capacidade de impulsionar a economia do País.

Para ter uma idéia, mais de 60% dos empregos da indústria são gerados pelas micro e pequenas, de onde sai também grande parte das inovações e com investimentos muito mais baixos − estima-se numa proporção de 1 para 20 −, do que os despendidos pelas grandes. Calcula-se também que, de vinte anos para cá, o número de trabalhadores nas megacompanhias está menor ou igual à época de sua constituição, enquanto o faturamento é 20 vezes maior. Grande parte dessas pessoas abriu negócio próprio ou acabou sendo absorvida pelas micro e pequenas, para onde levaram novos conhecimentos, habilidades e competências.
Isso explica em parte a atenção que os países desenvolvidos têm para com os micro e pequenos, a quem eles consideram de importância estratégica para a economia, a ponto de criar políticas exclusivas para eles.

Nos Estados Unidos, onde 60% das pessoas pretendem abrir negócio próprio em alguma fase da vida, um exemplo emblemático é o Estado da Carolina do Norte. Lá, para cada dólar investido em uma pequena empresa, o governo local se propõe a colocar outros US$ 2. Isso é investimento do governo em capital de risco, que se mostra não tão arriscado assim, já que o objetivo é atrair pequenas empresas para a cidade e com elas a geração de empregos e renda.

Enquanto isso, no Brasil, o governo, nos seus diversos níveis, está trabalhando em várias frentes no sentido de criar alternativas para viabilizar o nascimento, a sobrevivência e o crescimento dos pequenos negócios. O desafio é o ritmo em que combatemos os vilões desse processo: a pesada carga tributária, a alta taxa de juros e a falta de crédito, entre vários outros.

Não podemos perder mais tempo. É essencial mobilizar as lideranças da sociedade, os trabalhadores, as instituições financeiras, as autoridades e o governo no sentido de reconhecer a importância, as particularidades e as dificuldades dessas empresas e estimulá-las. Para o micro e pequeno empresário, um dia é valioso. Pode significar alguns milhares de reais a mais de endividamento ou a comemoração pela chegada de uma nova máquina, a conquista de um cliente ou a contratação de mais um funcionário.

Joseph Couri é presidente do Simpi (Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo) e da Assimpi (Associação Nacional dos Simpi).

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